Carreira Futuro do Trabalho Inovação Liderança TI

Diretores de Marketing estão com os dias contados?

Tempo de leitura: 3 minutos

*Por Miguel Fernandes, CTO da Witseed

Armínio Fraga, ex-presidente do Banco Central, me falou uma frase marcante quando trabalhei na Gávea Investimentos, um pouco antes da aquisição pelo JP Morgan: A empresa são as pessoas e os sistemas.

Tive a sorte de ser a pessoa que fazia e usava os sistemas. Saí da área de TI e trabalhei como analista de operações, conferindo valores de cotas de fundos. Para fazer o trabalho de um analista de operações, construí sistemas que automatizaram boa parte das tarefas. Ainda assim, o sistema nunca foi capaz de eliminar a função de analista de operações. 

Quando deixei de estar neste cargo para ser líder de tecnologia, tivemos que contratar outra pessoa para exercer o meu papel anterior. O que realmente potencializou a área de operações foi o fato de ter tido autonomia para melhorar o sistema usado para analisar as próprias operações. Isso é uma grande habilidade dos líderes que conseguem produzir essa cultura de autonomia e melhoria contínua nos seus times. 

Afinal, se estão mudando o sistema, é sinal de que aprenderam algo que vai deixar a plataforma mais eficiente. Sempre me senti mais à vontade com sistemas do que com pessoas. Aliás, esse é o dilema banal dos líderes de tecnologia. Treinados para lidar com sistemas, têm dificuldade de lidar com pessoas, o que é evidentemente difícil na hora de liderar. 

Com o comportamento das pessoas passando a ser moldado pelas telas e sistemas digitais, profissionais de tecnologia foram forçados a entender mais de pessoas. Hoje são menos o estereótipo de “nerd antissocial” e mais o “inventor visionário”. A tecnologia não muda só o papel do líder de tecnologia. Ela muda o papel de todos os líderes, transforma a relação entre as lideranças entre si e entre os membros do seu time. 

Recentemente escrevi um artigo sobre ‘“o fim dos CTOs” e ele gerou bastante repercussão. Nele comentei essa transformação dos CTOs em CEOs e vice-versa. Muita gente trouxe o exemplo da XP Investimentos, que recentemente anunciou o novo CEO, Thiago Maffra, um ex-diretor de tecnologia.

Esse próprio exemplo da XP reforça o que eu falava. Tanto o papel do CEO não vai substituir o do CTO, que para assumir a presidência da XP, o Thiago Maffra deixou de ser diretor de tecnologia. Papel esse que será exercido por outra pessoa. Papéis do CEO e do CTO continuam existindo. E é a própria tecnologia que muda a relação entre CEOs e CTOs. 

Um outro tipo de comentário que me chamou a atenção foi o estabelecimento de um paralelo do CTO com o CMO, o Chief Marketing Officer ou diretor de marketing. Agora a tendência é o CMTO — dizem. O Chief Marketing Technology Officer é uma posição que reúne as responsabilidades do tradicional CMO e do CTO. Para muita gente, os CMOs vão ser substituídos pelos CMTOs. Será?

CTOs e CMOs precisam vestir sapatos coloridos e gosto dessa discussão. A tecnologia realmente modifica a atuação dos executivos de todas as áreas das empresas. Elas vão continuar existindo, mas exigindo cada vez mais conhecimento sobre tecnologia dos seus líderes e analistas.

Um time de marketing, hoje, precisa ter todas as skills necessárias para colocar de pé, e bem rápido, todo um conjunto de soluções, que, alguns anos atrás, só a área de TI conseguia: Landing pages, automações, dashboards, controle de métricas, crawlers, integrações, hacks, etc.

Não é viável para o marketing depender da TI para construir tudo que precisa experimentar.

Na minha visão, o caminho natural continua sendo o marketing descobrir novos produtos com seus experimentos. E depois passar a bola para a TI criar uma solução mais escalável em cima do que mais deu certo. Basicamente, a tradicional relação entre o CMO e o CTO continua intacta.

Agora, essas particularidades de CMTO, ou Growth Hacker, em que cada hora o pessoal de marketing inventa um nome, funciona muito bem para vender cursos online. Na prática, o papel do CMO não vai acabar ou se fundir com o CTO, as pessoas de marketing não vão se tornar developers. É só o nível de conhecimento sobre tecnologia dos profissionais de marketing que vai continuar aumentando cada vez mais. E assustadoramente.

Se o assunto é Marketing e Tecnologia, o nosso podcast está cheio de episódios imperdíveis. 

Eugênia tem 20 anos de experiência em Planejamento Estratégico, Branding, e nesse episódio, além de cases da sua carreira prodígio, ela reflete sobre como algoritmos são artifícios que usamos pelos mesmos anseios que sempre existiram, mas que podem ser uma ferramenta ainda mais mais assertiva! 

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